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Projeto Trans Metha

PROJETO TRANS METHA
GINECOLOGIA

GINECOLOGIA PARA PESSOAS TRANSGÊNERO

Dra Luciana Pistelli
Dra Luciana Pistelli CRM 112081 - SP

PAPEL DO GINECOLOGISTA NA ATENÇÃO À SAÚDE DE TRANSGÊNEROS

 

Transgêneros são pessoas que não se identificam com o sexo biológico ou designado ao nascimento. São genericamente classificados em transgênero masculino, feminino e não-binário.

O transgênero masculino é o que foi designado ao sexo feminino ao nascimento, mas tem uma identificação de gênero masculino e em geral busca tratamentos que lhes proporcionem o desenvolvimento de caracteres masculinos, como hormonioterapia e cirurgias. A hormonioterapia é capaz de induzir o crescimento de barba e pelos no corpo em geral, engrossamento da voz, ganho de massa muscular, aumento do volume clitoridiano, cessação da menstruação e discreto alargamento da face. O tratamento cirúrgico pode incluir a retirada das mamas, do útero, da vagina e dos ovários, além da neofaloplastia. A mastectomia é a cirurgia mais realizada nessa população. A maioria dos transgêneros masculinos opta pela não realização da retirada do útero, ovários, vagina e neofaloplastia, seja por não possuírem esse desejo ou porque os resultados estéticos e funcionais ainda não são muito bons. O principal objetivo da neofaloplastia é permitir que o paciente urine em pé.

Define-se como transgênero feminino a paciente que foi designada ao sexo masculino ao nascimento, mas se identifica com o gênero feminino e vai em busca de transformações que lhes proporcionem caracteres femininos. A hormonioterapia permite o aumento das mamas, a diminuição de pelos e a atrofia dos genitais masculinos. A cirurgia de redesignação sexual consiste na retirada do pênis e testículos, cuja pele é utilizada na criação de uma neovagina e dos grandes e pequenos lábios vulvares. Técnicas recentes tem permitido a manutenção da sensibilidade e prazer ao coito, além de melhores resultados estéticos, aumentando a satisfação com a cirurgia. A cirurgia de redesignação sexual é reservada às pessoas com disforia de gênero, pois não é livre de riscos e complicações e requer cuidados específicos, como uso de dilatadores vaginais, por toda a vida.

Os transgêneros não-binários são pessoas que não se identificam com nenhum dos gêneros socialmente propostos, podem ser intergêneros, gênerofluidos ou sem gênero definido. Essas pessoas podem requerer tratamento hormonais e cirúrgicos ou não. Em geral preferem ser tratados por pronomes neutros.

Após uma breve introdução vem a questão: Qual é o papel do ginecologista na assistência à saúde de transgêneros? Pois bem, são muitos…

  • O papel inicial de qualquer profissional de saúde que preste atendimento a pessoas transgênero é o acolhimento, com atendimento digno e respeitoso. O acolhimento vai além do atendimento médico e envolve também etapas que antecedem a consulta médica, como o agendamento e a recepção de sus pacientes na sala de espera.
 
  • O ginecologista deve ser tecnicamente capacitado para esse atendimento, tendo conhecimento a respeito dos tratamento hormonais e seus efeitos sobre o organismo de transgêneros, evitando observações e comentários desnecessários, além de contribuir para orientações sobre a hormonioterapia.
 
  • Orientação desses pacientes com relação à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, a depender de se elu se relaciona com homens, mulheres, outros transgêneros binários ou não-binários, que tenham passado por cirurgia de redesignação sexual ou não. As orientações podem diferir conforme a orientação sexual de cada um(a), e é preciso ter conhecimento e respeito à diversidade para uma orientação adequada.
 
  • Orientação e realização de exames preventivos de saúde em geral e específicos para seus órgãos genitais, levando-se em consideração o uso ou não de terapia hormonal. O uso de testosterona em altas doses aumenta o risco de câncer de mama e endométrio, aumenta o hematócrito e o risco de trombose venosa e alterações no metabolismo de lípides, requerendo uma vigilância específica. Faz-se necessária a coleta de papanicolaou e mamografia em transgêneros masculinos e não binários que possuem útero e mamas. A realização desses exames pode ser extremamente desconfortável, em especial em pacientes com disforia de gênero, seja pelos efeitos da hormonioterapia, seja por de certa forma estarem relacionados ao sexo designado ao nascimento.
 
  • Realização de tratamento para atrofia vulvo-vaginal em transgêneros masculinos e não-binários. Esses pacientes podem apresentar sintomas de desconforto, ardor ou prurido na região íntima devido à atrofia secundária ao uso de testosterona. A aplicação de laser íntimo pode trazer grande alívio desses sintomas, sem a necessidade de uso de estrogênios tópicos.
 
  • Realização de cirurgia para a retirada das mamas, útero, ovários e vagina em transgêneros com disforia de gênero e desejo desses tratamentos.
 
  • Atendimento espacializado a transgêneros femininos em uso de estrogenioterapia, visto que precisam de uma vigilância maior sobre as mamas. Não existe nenhuma recomendação para a realização de exames preventivos para câncer de próstata nessa população, pois o uso de medicamentos anti-androgênicas e estrogênios em altas doses levam à atrofia deste órgão e não existe nenhum único caso de câncer de próstata descrito nesta população.
 
  • Em transgêneros submetidos à cirurgia de redesignação sexual com neovagina, o ginecologista deve orientar sobre higiene íntima e cuidados locais, como uso de dilatadores vaginais, além da realização de exame especular para avaliação da saúde vaginal e presença de infecções genitais.
 
  • O ginecologista com especialização em uroginecologia e assoalho pélvico pode auxiliar no tratamento de complicações da cirurgia de neovagina, como infecções urinárias de repetição secundárias ao encurtamento da uretra e de disfunções miccionais, como a bexiga hiperativa e a incontinência urinária. Afecções como estenose e prolapso da neovagina tem sido estudados e tratados por uroginecologistas também.
 
  • Realização de tratamentos estéticos íntimos, como a aplicação de laser para clareamento ou melhora do tônus da vulva, aplicação de agentes de preenchimento nos grandes lábios e realização de tratamento cirúrgico para melhorar a estética dos pequenos e grandes lábios para pacientes insatisfeitas com o resultado estético de sua cirurgia de redesignação sexual.
 
  • Orientações de saúde em geral, como estímulo à prática de atividades físicas, a cessação ao tabagismo e consumo de álcool restrito em pacientes em uso de hormonioterapia a fim de minimizar-se o risco de complicações potencialmente associadas a esse tratamento.
 
  • Fornecer orientações e tratamentos relacionados à preservação da fertilidade antes da realização de tratamentos hormonais e principalmente antes de cirurgias para remover ou modificar seus genitais. Muitas pessoas trans e com variabilidade de gênero podem querer ter filhos biológicos. Essas discussões devem ocorrer precocemente, mesmo que a pessoa não esteja interessada nessas questões no momento do início do tratamento. Transgêneros femininos ou não binários que possuam testículos, com desejo de estrogenioterapia devem ser informados sobre as opções de preservação de esperma e encorajados a considerar armazenar seu sêmen antes de iniciar a terapia hormonal. As opções reprodutivas para transgêneros masculinos ou não binários que possuam ovários podem incluir o congelamento de óvulos ou embriões. O congelamento de tecidos ovarianos de pacientes submetidas à retirada dos mesmos está sendo estudado. Os gametas e embriões congelados poderiam ser posteriormente usados com uma mulher substituta para concretizar a gravidez ou nelus mesmus a depender do tratamento subsequente e de seu desejo. Transgêneros que não tenham realizado a gonadectomia podem suspender o tratamento hormonal na tentaiva de voltarem a produzir gametas maduros.

A Mulher Transgênero é um individuo XY que não se identifica ao sexo masculino ao qual foi designada no nascimento e que vá em busca de transformações feminizantes.

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